1 dia ago · Beatriz Coliath · 0 Comentário
Ansiedade na adolescência: o que fazer?
A ansiedade se caracteriza pela antecipação de eventos futuros ou incertos, comumente associada à tensão a apreensão, e costuma se itensificar na fase da adolescência. É importante lembrar que a ansiedade é uma emoção natural humana, e que pode ser útil para se preparar para eventos importantes da vida, gerar entusiamo e ação.
Ou seja: é esperado e comum, de certa forma, que a adolescência envolva diversos elementos desconfortáveis, fazendo parte de uma maturação cerebral e psicossocial. Isso porque a adolescência envolve diversos dilemas, como o medo de ser rejeitado, comparações, mudanças físicas, hormonais e psicológicas, expectativas para o futuro, entre outros. No entanto, a ansiedade torna-se nociva ou um transtorno quando:
- É desproporcional à ameaça ou evento.
- É incapacitante para o funcionamento adequado da pessoa;
- Torna-se de alta frequência;
- Gera consequências físicas.
Alguns dos transtornos de ansiedade mais comuns nesta faixa etária envolvem a Fobia Social, o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno Obssessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno do Pânico. Esses e outros transtornos de ansiedade são multifatoriais, podendo contar com causas fisiológicas, genéticas e ambientais. Podemos considerar que os principais fatores ambientais e de risco para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade envolvem:
- Rotina mal estruturada;
- Instabilidade afetiva;
- Ambiente estressante ou hiper-estimulante;
- Conflitos familiares;
- Redes sociais em excesso;
- Exposição a traumas;
- Bullying;
- Necessidade excessiva de aceitação;
Também existem diversos sinais de que a ansiedade deixou de ser um elemento natural da adolescência e tornou-se um fator preocupante. Entende-se que, quando em excesso e por tempo prolongado, as seguintes características sinalizam um alerta para possíveis transtornos de ansiedade:
- Isolamento;
- Irritabilidade;
- Sintomas psicossomáticos;
- Evitação escolar;
- Prejuízo acadêmico repentino;
- Instabilidade emocional;
- Sono muito desregulado;
- Dependência dos pais;
Ou seja, quando as dificuldades da adolescência estão começando a causar sofrimento significativo, com prejuízos no funcionamento social, escolar ou em outras áreas importantes da vida, é necessário buscar ajuda profissional imediatamente.
A partir dessa compreensão, surge uma dúvida: o que fazer quando percebo que meu filho está demonstrando níveis elevados de ansiedade? Nesse caso, algumas atitudes são essenciais:
- Psicoedução: O adolescente precisa entender o que é a ansiedade, quais são seus sentimentos e ser estimulado a se expressar de maneira saudável (exercícios, grupos, hobbies, conversar com alguém de confiança, entre outros).
- Ofereça uma escuta sem julgamentos: Não julgar é diferente de concordar com tudo. É necessário oferecer orientação com o cuidado de validar o sentimentos, porém sem incentivar atitudes errôneas ou precipitadas. Em geral, o adolescente precisa enxergar acolhimento na figura dos pais. Caso contrário, não se sentirá seguro em expressar suas dificuldades e as guardará para si.
- Acompanhamento profissional: É importante que o adolescente possa ser acompanhado por um psicólogo qualificado e que consiga verificar e intervir nos fatores ligados a ansiedade.
- Não force, nem superproteja: Como parte do crescimento, os adolescentes precisam ser incentivados a superarem a algumas situações que nem sempre serão tão confortáveis, mas que são importante para o desenvolvimento (ex: aprender a falar em público, conversar com pessoas novas, arcar com maiores responsabilidades, etc). Ofereça apoio para superar os obstáculos de forma equilibrada, nunca minimizando ou maximizando a dificuldade.
- Não se desespere: Além do acolhimento, é importante oferecer segurança para quem está passando por momentos de ansiedade. Isso é ainda mais válido quando envolve um adolescente que depende dos pais em diversos sentidos. Seja fonte de segurança.
Como é realizado o acompanhamento psicológico?
Para tratamento de ansiedade, cada caso deve ser observado com cautela para identificar quais são as causas envolvidas e quais medidas podem ser tomadas, respeitando a realidade de cada pessoa.
Em casos persistentes, extremos ou que possam envolver disfunções químicas cerebrais, pode-se recomendar uma consulta com um médico psiquiatra. Reforço que tratam-se de transtornos multifatorais, atravessados por diversas variáveis, e que por isso requerem uma visão ampliada por parte dos profissionais envolvidos. Ainda assim, é possível obter melhoras expressivas através de um tratamento adequado que envolva o profissional, o adolescente e a família.
Em minha prática clínica, utilizo da abordagem Cognitivo-Comportamental, considerada padrão ouro para intervenções em transtornos de ansiedade. Recomendo esta abordagem por sua excelência e promoção da independência/reestruturação cognitiva, para que o paciente aprenda a lidar com suas emoções e dificuldades com maior segurança.
Beatriz Coliath
Psicóloga (CRP 06/231726)